RESULTADOS

PRAGAS E DOENÇAS

O material vegetal utilizado, cladódios (Figura 1), é frequentemente importado das regiões no qual a planta é autóctone - América Tropical e Subtropical, uma vez que garante uma maior diversidade genética. Apesar desta vantagem, é importante ter em conta que poderá ser uma porta de entrada a pragas e doenças exóticas em Portugal, para o qual não temos meios de luta. Muitas das explorações de pitaia compram ou trocam material vegetal entre si, o que poderá ajudar na propagação de material contaminado. Importa por isso adquirir material de propagação de origem fiável e credível, tendo o cuidado de cumprir requisitos legais nesta matéria, nomeadamente certificados fitossanitários.

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Figura 1 – Aspeto do cladódio, localizado no Brasil

Devido à falta de informação em relação a doenças e pragas em Portugal, a informação que se segue relaciona-se com a sua presença no Brasil. 

PRINCIPAIS PRAGAS

As principais pragas identificadas para a pitaia  podem causar danos nas plantas, flores e frutos. Os besouros, por exemplo, podem causar furos nos cladódios. Já as espécies de Percevejos Leptoglossus zonatus e Leptoglossus phyllosus sugam a seiva da planta.

Diferentes espécies de moscas como a Dasiops saltans e a mosca-das-frutas (Bactrocera spp.) atacam os botões florais e os frutos respetivamente. A localização destes ataques acaba por ter uma grande influência na produtividade da pitaia. Além disso, diferentes espécies de pulgões e cochonilhas também foram observadas em flores e frutos.

No que toca a pragas de maiores dimensões, ratos e aves são atraídos pelas flores e pelos frutos maduros, atacando-os. As feridas causadas por estes ataques podem ser uma abertura para ataques de fungos e bactérias.

Embora as pragas causem prejuízos, o maior problema para a pitaia são as doenças fúngicas.

PRINCIPAIS DOENÇAS

Uma das doenças fúngicas mais graves para a cultura da pitaia é a Antracnose (Gloeosporium sp ou Colletotrichum gloesporioides), que pode reduzir significativamente a produção devido ao ataque aos cladódios e frutos. No caso do C. gloesporioides, tanto pode atacar o fruto imaturo como o fruto maduro no pós-colheita.

Podridões por Fusarium causam a chamada “podridão apical do fruto”, começando como uma lesão na inserção do fruto com o cladódio, depois evoluindo.

Já a Alternaria alternata causa manchas nos frutos de pitaia nas fases de pré e pós-colheita, gerando graves perdas económicas. Esse fungo é também considerado como tóxico pois produz micotoxinas. Uma vez que podem não apresentar sintomas visíveis na polpa do fruto, pode levar a problemas graves para a saúde humana.

Fonte: Pierangel, E. C. G. (2019). Espécies de fungos e bactérias associados à cultura da pitaia e avaliação de estádios de maturação na qualidade do fruto (Tese de Doutorado). Lavras, Minas Gerais.